Externalidades que afundam

Limites da economia da poluição em Maceió, Alagoas, Brasil

Autores

Palavras-chave:

Economia da Poluição, Economia Ecológica, Mineração Urbana, Justiça Ambiental

Resumo

Este artigo analisa a subsidência do solo em Maceió (AL), decorrente de mais de quatro décadas de exploração de sal-gema pela Braskem, avaliando em que medida os instrumentos da Economia da Poluição são capazes de explicar e responder às externalidades produzidas por esse desastre socioambiental, com base nas contribuições da Economia Ecológica. Trata-se de um estudo de caso qualitativo, de caráter exploratório, fundamentado na análise documental de relatórios técnicos, processos judiciais, dados da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e informações da Controladoria-Geral da União (CGU). A análise, baseada nas contribuições de Arthur Pigou e Ronald Coase, evidencia que, enquanto a atividade minerária produziu danos ambientais, territoriais e sociais de caráter irreversível, a empresa continuou a receber expressivos incentivos fiscais, configurando uma assimetria institucional entre mecanismos de compensação e políticas de incentivo econômico. Os resultados demonstram que, embora os instrumentos tradicionais de internalização das externalidades permaneçam relevantes, eles se mostram insuficientes para responder a desastres ambientais de grande magnitude, marcados por perdas incomensuráveis e conflitos de justiça ambiental. Conclui-se que o caso Braskem evidencia os limites analíticos da Economia da Poluição e reforça a necessidade de que os princípios da precaução, da justiça ambiental e da sustentabilidade forte orientem a formulação de políticas públicas em atividades de elevado risco socioambiental.

Referências

Alagoas (2019). Ministério Público do Estado de Alagoas; Defensoria Pública do Estado de Alagoas. Processo nº 0806577-74.2019.4.05.8000 de 01 de abril de 2019. Ação Civil Pública. Procuradoria Geral de Justiça de Alagoas. Maceió, AL, 01 de abr. de 2019.

B3 (2025). Carteira ISE B3. https://iseb3.com.br/carteira-iseb3.

Barcelos, T. S., de Camargo, P. L. T., Mota, L. D. F., & da Costa, P. F. (2024). Problemas socioambientais na mineração e seus elementos espaciais. Revibec: revista de la Red Iberoamericana de Economia Ecológica, 37(1), 0032-51.

Barros Filho, J. R. G. D. (2022). Análise sobre os impactos da atividade extrativa mineral de sal-gema em Maceió/AL. (DISSERTAÇÃO DE MESTRADO, UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

Brasil. (2019a). Serviço Geológico do Brasil. Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió (AL): volume I, relatório síntese dos resultados n. 1. CPRM. Disponível em: https://www.tnh1.com.br/media/uploads/legacy/files/7/0/31ad729667990cb4c70f1bffa547d67a9a825b76.pdf

_______. Ministério Público Federal. Processo nº 0806577-74.2019.4.05.8000 de 16 de Agosto de 2019. Ação Civil Pública com pedido de Antecipação da Tutela. Procuradoria Geral em Alagoas. Maceió, AL, 16 de Agosto de 2019b.

_______ (2025) Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais. Observatório da CFEM.https://www.gov.br/anm/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/contribuicao-financeira-pela-exploracao-mineral-2013-cfem

_______ (2025). Controladoria Geral da União. Portal da Transparência.https://portaldatransparencia.gov.br/renuncias/beneficiario?paginacaoSimples=true&tamanhoPagina=&offset=&direcaoOrdenacao=asc&palavraChave=Braskem&anoCalendario=2021&colunasSelecionadas=cnpjDesformatado%2CanoCalendario%2Ccnpj%2Cbeneficiario%2CvalorRenunciado&ordenarPor=beneficioFiscal&direcao=desc

Braskem (2025). ESG. Environmental Social and Governance. https://www.braskem-ri.com.br/esg/esg-ratings/

Cánepa, E. M (2010). Economia da Poluição. In: MAY, P. H.; Lustosa, M. C.; VINHA, V. Economia do Meio Ambiente. Teoria e Prática. São Paulo: Elsevier/ECOECO.

Carvalho, F. F. (2001). Da esperança à crise a experiência das políticas regionais no Nordeste (Tese de doutorado, Universidade Estadual de Campinas).

Cavalcante, J (2020). Salgema: do erro à tragédia. Maceió: Editora CESMAC.

Coase, R.H. (1960) The Problem of Social Cost. Journal of Law and Economics, 3, 1-44. https://doi.org/10.1086/466560

Costanza, R., d'Arge, R., de Groot, R., Farber, S., Grasso, M., Hannon, B., Limburg, K., Naeem, S., O'Neill, R. V., Paruelo, J., Raskin, R. G., Sutton, P., & van den Belt, M. (1997). The value of the world's ecosystem services and natural capital. Nature, 387(6630), 253–260. https://doi.org/10.1038/387253a0

Daly, H.E. (1996) Beyond Growth, The Economics of Sustainable Development. Beacon Press, Boston.

Diodato, R. V (2017). Da Concepção de um Polo Cloroquímico ao Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Química e do Plástico em Alagoas. (Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Alagoas)

Feitosa, C. O., & da Silva Romeiro, A (2023). Exploração mineral e impactos na habitação: o caso Braskem, em Maceió. Anais do XX Encontro Nacional da ANPUR, BELÉM, PA.

Galindo, A. (2022). Aspectos técnicos de uma mineração desastrosa. In: FRAGOSO, E. (org).Rasgando a cortina de silêncios.1. ed. Maceió: Ed. Instituto Alagoas.

Georgescu-Roegen, N. (1971) The Entropy Law and the Economic Process. Harvard University Press, Cambridge. http://dx.doi.org/10.4159/harvard.9780674281653

Gonçalves, R. J. D. A. F. (2016). Capitalismo extrativista na América Latina e as contradições da mineração em grande escala no Brasil. Brazilian Journal of Latin American Studies, 15(29), 38-55.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2010). Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. https://sidra.ibge.gov.br

Lustosa, M. C. J. (1997).O Pólo Cloroquímico de Alagoas. Série Apontamentos. Maceió: EDUFAL.

Lustosa, M. C. J.; Cánepa, E. M.; Young, C. E. F. (2010). Política ambiental. In: MAY, P. H.; Lustosa, M. C.; Vinha, V. Economia do Meio Ambiente. Teoria e Prática.

Macedo, S. V.; Abrantes, L. A.; Valadares, J. L.; Miranda, M. S. (2023). Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM): uma revisão sistemática da produção acadêmica brasileira. Pensar Contábil, v. 25, n. 87, Maio/Ago, p. 4-15.

Margulis, S. (1990). Economia do Meio Ambiente. In: La Rovere, E. L., Galvão Filho, J. B., Silveira, S. S. B., Sant'Anna, F. S. P., Magrini, A., Motta, R. S. D., ... & Salati, E. (1990). Meio ambiente: aspectos técnicos e econômicos. IPEA

Marques, A. G. (2022). Aspectos técnicos de uma mineração desastrosa. In: FRAGOSO, E. (org). Rasgando a cortina de silêncios.1. ed. Maceió: Ed. Instituto Alagoas.

Martínez-Alier, J. (2009). O ecologismo dos pobres: conflitos ambientais e linguagens de valoração. São Paulo. Contexto. 379 p.

Milanez, B., & Santos, R. S. P. (2013). Neoextrativismo no Brasil? Uma análise da proposta do novo marco legal da mineração. Revista Pós Ciências Sociais, 10(19), 119-148.

Oliveira Neto, R., & Petter, C. O. (2005). A abordagem da economia ambiental no contexto da mineração. Rem: Revista Escola de Minas, 58, 71-75.

Pigou, A. C. (1920). The Economics of Welfare. London: Macmillan.

Salles, A. O. T., & Matias, A. L. (2022). Uma análise da teoria das externalidades de Pigou e Coase e suas aplicações na abordagem teórica da Economia Ambiental. Informe Econômico (UFPI), 44(1).

Simões, P. E. M., & Cristaldo, R. C. (2022). Análise Pêcheutiana do Discurso da Braskem face ao Crime Corporativo em Maceió. Cadernos do CEAS: Revista crítica de humanidades, 47(257), 601-628.

Vieira, M. C. (1997).“Daqui só saio pó!”: conflitos urbanos e mobilização popular (a Salgema e o Pontal da Barra). Maceió: Edufal.

Downloads

Publicado

2026-08-10

Edição

Seção

Seção Especial do Encontro da ECOECO 2025

Como Citar

Externalidades que afundam: Limites da economia da poluição em Maceió, Alagoas, Brasil. (2026). REVIBEC - Revista Iberoamericana De Economía Ecológica, 39(1), 18-40. https://redibec.org/ojs/index.php/revibec/article/view/669